Mudança na meta fiscal reduz expectativas de novos cortes na Selic; entenda

Redação por Redação
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Não foi só o dólar que reagiu à mudança da meta fiscal. O aumento das incertezas sobre as contas públicas também impactou as projeções sobre os juros, com as expectativas menores de que o Banco Central vá manter o ritmo atual de corte da taxa Selic, atualmente em 10,75% ao ano.

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As mudanças afetam projeções já para a próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), em maio. No começo da semana passada, o mercado via 86% de chances de o BC fazer uma nova redução de 0,5 ponto percentual (p.p.) na Selic. Agora, o percentual passou para 63%, considerando dados de contratos de Opção de Copom divulgados pela B3.

Enquanto isso, a probabilidade de uma redução menor, de 0,25 p.p, passou de 9% para 20%, e a de manutenção saltou de 1,7% para 14%. 

As mudanças também se refletem nas expectativas para a reunião de junho. Antes, os números apontavam 66% de probabilidade de corte de 0,25 p.p, 14% de redução de 0,5 p.p e 15% de manutenção da taxa. Agora, os percentuais são de 53%, 8,5% e 34%, respectivamente.

Na curva de juros, também é possível constatar o aumento da desconfiança do mercado. Na terça-feira, 16, ela passou a precificar mais de 50% de chances de corte da Selic em apenas 0,25 p.p, e não em 0,5 p.p como vinha sendo sinalizado pelo próprio BC nos últimos comunicados. Na quarta, 17, a curva subiu novamente e passou a precificar 84% de chances de o corte da Selic em maio ser de apenas 0,25 p.p, depois de o próprio presidente do BC, Roberto Campos Neto, defender que a incerteza sobre as contas públicas, aliada ao cenário externo, pode reduzir a intensidade do corte de juros.

Entenda o nervosismo do mercado

O aumento das incertezas veio na esteira do anúncio da equipe econômica sobre mudanças nas metas para as contas públicas em 2025 e 2026. O comunicado veio na segunda feira, 15, e representa um adiamento dos planos do governo para colocar os números no azul

Além disso, há dúvidas sobre a capacidade do governo em cumprir o novo arcabouço fiscal, que entrou em vigor há menos de um ano. Isso porque há uma dependência de aumento das receitas para cumprir a regra, e não se sabe ao certo como isso vai acontecer. 

“A expectativa que se tinha era de política monetária e fiscal andando juntas. Como isso aparentemente não está acontecendo, é possível estimar dados um pouco piores no que diz respeito a inflação e política de redução da taxa de juros”, analisa Alvaro Bandeira, Coordenador da Comissão de Economia da APIMEC Brasil.

Também apontando consequências negativas das notícias sobre a meta fiscal, Ricardo Martins, economista chefe da Planner Investimentos, menciona que “o não cumprimento refletirá fundamentalmente no crescimento mais acelerado do endividamento público e prêmio de risco exigido pelo mercado” – o que significa juros mais altos.

Já Aline Rosa, economista e sócia da Matriz Capital, aponta que, após os últimos desdobramentos em Brasília, “é plausível que o Copom mantenha uma postura prudente nas próximas reuniões”. Mas, apesar da reação dos mercados, ela lembra que “o Copom já vinha sinalizando preocupações com a evolução do cenário fiscal, condicionando os movimentos futuros à consolidação da convergência da inflação para a meta”. 

Cenário externo também pesa

De forma parecida, Felipe Berenguer, analista de macroeconomia e política da Levante Inside Corp, acredita que “a gente pode ver uma mudança de tom na próxima ata” do Copom, mas não somente pelos ruídos internos. 

“O que pode-se dizer é que a sinalização é bastante ruim e está sendo feita num momento em que o cenário global já está bastante adverso, seja pela escalada dos conflitos no Oriente Médio, seja por conta da revisão das expectativas de corte de juros nos Estados Unidos.”

Diante dos acontecimentos, Pedro Afonso Gomes, presidente do conselho regional de economia do Corecon-SP, aponta que “não é de se estranhar que o boletim Focus tenha vindo com uma expectativa um pouco maior para a taxa Selic”. 

“É claro que houve alguns aumentos de preços e nós já estamos vendo através dos índices, mas eles são corrigíveis ao longo do ano. O que não pode ocorrer é um certo desequilíbrio de ordem política e também geopolítica, no caso internacional, que afete os preços”, explica.



Fonte: Externa

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